quinta-feira, agosto 02, 2012
CADÊ A CORRUPÇÃO QUE ESTAVA AQUI?
segunda-feira, julho 23, 2012
LIVROS DIGITAIS OU NÃO, EIS A QUESTÃO...
Os formatos aceitos pelo aparelho são o AZW proprietário, TXT, PDF, MOBI sem proteção. Essencialmente, apenas o MOBI e o AZW tem uma boa visualização. Ao se comprar um Kindle, a Amazon automaticamente cria uma conta de e-mail para onde se pode enviar arquivos nos formatos PDF, HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG BMP, que serão convertidos gratuitamente para o AZW (Se no assunto estiver escrito a palavra “convert”. De outro modo, ele vai enviar o arquivo original para a sua nuvem). Os livros para Kindle comprados na Amazon.com e convertidos e/ou enviados para o e-mail associado ficam vinculados a sua conta, o que permite a sua consulta em outros dispositivos, como computadores, celulares, tablets e iPods, desde que estes possuam instalado o aplicativo Kindle. Há sincronização entre eles (desde que se tenha acesso à internet) e praticamente todas as anotações, marcações e posição de leitura (dá para se fazer “orelhinhas” nas bordas da página) são atualizadas entre os aparelhos.
Lembrando que quanto mais elaborado e complexo o PDF (com muitas colunas, gráficos, fontes diferentes, etc.), maior a probabilidade do arquivo convertido chegar com a formatação bagunçada. Normalmente, a conversão de textos sem muitas firulas é bastante satisfatória, sendo que parágrafos e espaços entre linhas muitas vezes somem, mas dá para ler numa boa.
Há vários livros disponíveis para compra na Amazon.com, inclusive em português (comprei Sherlock Holmes - Edição Completa, da Editora Agir, cuja edição física, fora de catálogo, custava quase R$ 150,00, a apenas $5,42). Há vários livros, principalmente clássicos, grátis ou em edições completas com anotações com preços que variam entre $ 0,99 e $ 4,99. Muitos livros, principalmente best-sellers, podem ser encontrados a preços módicos, embora atualmente, por imposição de várias editoras, muitos deles estão saindo ao mesmo preço ou até mais caros do que os livros físicos (a Apple Store também está sofrendo com o mesmo problema. Depois reclamam da pirataria...). Após a compra, o livro é carregado automaticamente no Kindle ou dispositivo em segundos! E há ainda a possibilidade se de baixar amostras dos primeiros capítulos de vários livros.
Dá para se baixar muitos livros, legal e ilegalmente, pela rede, além de jornais e revistas. Um dos principais sites para livros gratuitos é o Project Gutenberg, onde há obras completas de domínio público, incluindo de autores brasileiros e portugueses. Um dos formatos disponibilizados para cada livro é o MOBI. E alguns livros comprados ainda podem ser “emprestados” entre aparelhos, por 14 dias (prazo normal de biblioteca, né?).
Há alguma? Tem, sim senhor.
Não há números de páginas e sim posições e porcentagem de leitura. Para eu, que estou acostumado a visualizar o quanto falta para ler pela posição de onde estou ou que gosta de saber qual é a extensão de um livro pelo número de páginas, isso é um pouco chato, mas nada com que não se acostume.
Bom, nunca aconteceu, mas há o risco de se acabar a bateria no meio da leitura.
São poucas pessoas, como Liesel Meminger, que tem a compulsão de roubar livros, mas com um aparelho eletrônico, ainda mais um que lembra um tablet, as coisas podem ser diferentes.
Se um livro cair, poucas vezes sofre algum dano sério (a não ser que seja um dia de chuva e você esteja no meio da rua). Já o Kindle, dependendo de sua sorte, pode dizer adeus.
É um pouco chato, se quiser voltar algumas páginas ou consultar um capítulo anterior. Se você souber o texto ou tiver marcado a posição, pode usar o mecanismo de busca ou o índice, mas se não, tem que retornar página por página ou capítulo por capítulo.
Conclusões
domingo, junho 10, 2012
LEITURA, ESTE MAL MODERNO!
Ler muito, em qualquer situação, leva à loucura (Sempre há um caso de algum conhecido que enlouqueceu de tanto ler e/ou estudar). Ler no ônibus causa deslocamento de retina, miopia ou algo que o valha, cansaço mental, enjoo, dor de cabeça e mais uma infinidade de males que não me lembro mais. Ler enquanto se come provoca... hmmm, ninguém sabe. Sempre que alguém me diz isso, pergunto o que provoca, mas ninguém nunca respondeu. É uma informação passada de geração a geração, mas que não tem base em dados concretos (Um dia eu acho que saberei. As dicas da vovó estão sempre certas. Sempre!!!).
A leitura também é um vicio. Há aqueles que recorrem a ela de forma ocasional, por curiosidade ou como uma diversão momentânea, mas há aqueles como eu que são viciados pesados, que perdem horas de suas vidas, se perdem em devaneios e se esquecem do mundo ao seu redor com um livro em mãos. Junkies, todos eles!
Além destes malefícios, o hábito de ler é reconhecidamente chato. Ver televisão, seja para assistir a novela ou ao BBB, gera mais prazer e menos esforço do que ler um livro (Não para mim, senhor ou senhora, não para mim).
As campanhas para livrarem os jovens desse mal estão tendo resultados positivos. O número de analfabetos funcionais cresce cada vez mais, tanto os provenientes de escolas públicas quanto de particulares. É fácil ver isso em qualquer coluna de comentário de blogs, revistas ou jornais, em várias postagens de redes sociais, em vários textos e provas que os professores são obrigados a corrigir. Muitos tentaram e ainda tentam me persuadir a abandonar este hábito nefasto, mas por enquanto nada surtiu efeito. Será que meu destino é ler até perder o pouco de juízo que me resta? Até morrer com o cérebro cheio de letrinhas? Só o tempo dirá...
segunda-feira, dezembro 26, 2011
De algumas compras realizadas agora em dezembro.
Amazon.com.uk - Enviado do Reino Unido
Data da compra - 14/12/2011
Data estimada de chegada - 10/01/2012
Nova data estimada de chegada - 29/12/2011
Data de chegada - 23/12/2011
Submarino.com - Enviado de São Paulo
Data da compra - 20/12/2011
Data estimada de chegada - 02/01/2012
Data de chegada - 23/12/2011
Banca.2000 - Enviado de São Paulo (@banca2000)
Data da compra - 09/12/2011
Data estimada de chegada - 12 dias úteis, após confirmação da postagem do pedido.
Data de postagem do pedido - 23/12/2011
Um dia, eu ainda vou tentar entender porque a Banca2000 demora tanto para postar suas encomendas. O site é muito bom no quesito disponibilidade e preço, mas peca, e muito, no tempo de entrega.
segunda-feira, julho 05, 2010
Carpe Noctem - Parte II.

Em 1897, Bram Stoker escreveu o mais popular livro de vampiros de todos os tempos. O tema vampirismo já havia sido abordado em outras obras, como “O Vampyr”, de Polidori, e “Carmilla”, de Sheridan Le Fanu. “Drácula” é considerada a obra-prima do gênero e foi o responsável por popularizar vampiros e lançar as convenções sobre o tema que são utilizadas até hoje. Stoker utilizou lendas do leste europeu e lhes deu uma nova roupagem. Utilizou de uma figura histórica, Vlad Stepes, o Impalador, cuja crueldade não tinha limites e era conhecido por beber sangue de seus inimigos. Até relatos de uma espécie de morcego do Novo Mundo que se alimentava de sangue foram utilizadas como fonte de idéias (Para o infortúnio dos morcegos, diga-se de passagem).
“Drácula” é um epistolário, onde diários de várias pessoas e recortes de jornais montam a estória. Nos diários de viagem do Procurador Jonathan Harker, conhecemos o Conde Vlad Stepes, o Dracul, o último Voivode da Valáquia, nobre interessado em comprar propriedades na Inglaterra. O que era para ser uma simples viagem de negócios torna-se uma experiência apavorante. Jonathan passa de visitante a prisioneiro no castelo de Drácula. Descobre, então, que o plano de Drácula é dominar o Reino Unido (então, o mais poderoso Império da Terra) e, consequentemente, dominar o mundo. O resto da estória, em menor ou maior grau, todos conhecem: A chegada do Conde na Inglaterra, a apresentação da noiva de Jonathan, Whilelmina (ou Mina) Murray, os delírios de Reinfeld, a sedução e lenta transformação da melhor amiga de Mina, Lucy Westenra, a reação de seus admiradores e pretendente perante a sua morte (e, depois, ao seu despertar), o chamado ao Professor Van Helsing e a caçada a Drácula, que culmina em sua destruição.
Ler “Drácula” é uma experiência sublime e, em alguns momentos, torturante. Tanto pela tensão quanto pelo estilo. Muitas vezes, o autor exagera na narrativa, estendendo-a além do necessário. Tal estratégia torna-se bastante evidente ao final do livro, durante a caçada à Drácula, onde elementos desnecessários são acrescentados de modo a prolongar o desfecho. Outro fato que chama bastante atenção é a derrota de Drácula, que eu considero bastante implausível. Como uma criatura poderosa como ele poderia ser facilmente derrotado por um bando de aventureiros? A única explicação é encontrada analisando-se o espírito da época: O “mal” não poderia vencer. Vários outros livros, da mesma época, retratavam ameaças reais, alienígenas ou sobrenaturais ao Império Britânico (A chamada Literatura de Invasão). Drácula representava uma potência estrangeira que intencionava invadir e conquistar o Reino Unido.
Uma última observação: Em Drácula fica estabelecido que vampiros podem, sim, andar durante o dia, mas que neste período seus poderes nefastos estão enfraquecidos ou ausentes. Portanto, não há nenhuma novidade em “Crepúsculo” também em relação a esse fato. Bem, talvez tirando o fato da luz do sol fazê-los brilhar...
Anno Drácula, de Kim Newman

Em “Coisas Frágeis”, Neil Gaiman explica que no seu conto “Um Estudo em Esmeralda” (Recomendo!) tentava fazer o mesmo que Alan Moore em “Liga Extraordinária” e Kim Newman em “Anno Dracula”, misturando personagens de obras distintas em um único universo ficcional (Neil Gaiman ajudou a desenvolver a série e seria o co-autor). O primeiro eu já conhecia. Fiquei interessado neste último e pesquisei um pouco sobre a obra e seu autor. O livro é de 1992 e é o primeiro de uma série de mesmo nome. A edição americana estava fora de catálogo e passei anos atrás dela. Finalmente, no ano passado, ela foi publicada por aqui pela Aleph em uma edição bem bacana. É um livro de História Alternativa, onde Drácula não é derrotado, se casa com a Rainha Vitória, tornando-se então o Príncipe Consorte, e transforma a Inglaterra em um lugar onde os Vampiros são a classe dominante. Newman utiliza diversas personagens de outras obras, principalmente vampiros.
Na trama, um assassino serial, apelidado de Faca de Prata, começa a matar prostitutas vampiras em Whitechapel, retalhando-as de forma cirúrgica. Considerando a natureza das vítimas, tais crimes são considerados políticos, um ataque pessoal ao Príncipe Consorte. Uma Vampira, Geneviève Dieudonné, é encarregada pela Scotland Yard de investigar os assassinatos. Ao mesmo tempo, o Clube Diógenes, uma sociedade secreta a serviço da Rainha, encarregada de cuidar de assuntos que não podem ser do conhecimento público, encarrega o seu melhor agente, Charles Beauregard, de também investigar o caso. Eventualmente, os caminhos dos dois se cruzam e eles se unem para tentar desvendar o caso.
Em uma estratégia que lembra o “Do Inferno”, de Alan Moore, Newman desde o início revela quem é o assassino, suas motivações e seus métodos. A trama se concentra então no relacionamento de Geneviève e nas relações sociais e políticas entre a nova classe dominante, a dos Vampiros, e a dos humanos normais, Os Quentes, que muitas vezes são tratados apenas como alimento. Retrata também os conflitos decorrentes desta mudança de poder, a transformação como única possibilidade de ascensão social – só vampiros são autorizados a ocupar altos cargos do governo - e o aumento da tensão entre humanos e vampiros, que transformam a Inglaterra em um barril de pólvora prestes a explodir.
Newman tenta, nesta obra, unir as várias caracterizações de vampiros já exploradas em obras anteriores. Os vampiros, neste universo, são divididos em linhagens e sabemos que existem Vampiros mais antigos e mais poderosos do que Drácula, Os Anciões, sendo Geneviève um deles. Estabelece-se que a idade também torna os Vampiros resistentes à luz do sol. Aliás, a linhagem sanguínea de Drácula é considerada degenerada e seus “filhos” são suscetíveis aos mesmos defeitos que ele. Nem todos os Vampiros possuem aversão a crucifixos, água benta ou alho, sendo que tal fraqueza é considerada como um produto de superstição. A única coisa fatal a todos os vampiros é prata, recurso utilizado pelo assassino para matar de forma eficiente suas vítimas.
Que a Aleph publique o mais breve possível os outros livros da série.
domingo, novembro 29, 2009
CARPE NOCTEM
Desde “Drácula", de Bram Stoker, os vampiros fazem parte do imaginário popular. Como fã dos Desmortos, devo dizer que desde a minha infância esses seres povoam a minha mente. Uma de minhas primeiras experiências com essas criaturas ocorreu com os filmes da Hammer. O clássico Drácula, com Christopher Lee no papel principal, foi um dos pontos altos de minha infância. Até hoje, relembro com prazer da trilha sonora. Das seqüências, pouco me lembro além das vampiras sedutoras de peitos de fora. Ri com “A Dança dos Vampiros”, de Roman Polanski. Me apavorei com “A Hora do Espanto” (Obriguei a minha mãe a deixar a luz acesa na noite em que vi o filme. Revendo-o, já na adolescência, não vi a razão para tanto medo...). Outros filmes: “Amor à Primeira Mordida”, “Sede de Viver”, "Garotos Perdidos”.
Confesso (Mea culpa, mea culpa) que ainda não li Dracula, de Bram Stoker mas garanto que está na minha lista de próximas leituras.
As experiências literárias marcantes referem-se à:
1. A Hora do Vampiro – Ou “Salem’s Lot”, de Stephen King, publicado em 1975 (Um bom ano, eu diria...). Considero este um de seus melhores livros. Eu o li quando tinha uns 11, 12 anos. A história passa-se na cidade de Jerusalem’s Lot (ou Salem’s Lot), uma pacata e modorrenta cidade no interior do Maine. A chegada de um estranho visitante transforma a cidade em um ninho de vampiros. Um grupo de pessoas – um escritor, um médico, um professor, um garoto fã de filmes de terror e um padre – tornam-se os improváveis caçadores de vampiros.King usa como base a mitologia vampiresca usada por Stoker e muitos outros que vieram após ele. Seus vampiros transformam-se em nevoa e animais, controlam animais sujos, usam serviçais de mente fraca, não atravessam água corrente, dormem em caixões com terra consagrada, tem aversão à cruz e para uma morte permanente tem, além da estaca no coração, a cabeça cortada, a boca preenchida com alho e são mergulhados em um rio.
Lembro que enquanto lia o livro, tive pesadelos recorrentes com o pôr-do-sol e o pavor com o seu ocaso. Bem melhor que sonhar com números e equações em vésperas de prova de calculo...
2. Crônicas Vampirescas – Anne Rice soube, com perfeição, reinterpretar o mito do vampiro em “Entrevista com o Vampiro”. O amargurado (ou chato, escolha a sua definição) Louis, narra a sua vida após renascer como um vampiro a um repórter, mostrando vampiros como humanos cuja percepção de mundo são alteradas pelos dons (ou maldições) proporcionados pela transformação e a consciência de imortalidade. Lestat, responsável por tornar Louis em um vampiro, é mostrado como um monstro.
3. Twilight - Ou Crepúsculo. Devo confessar que demorei um ano ou mais para conseguir ler esse livro. Neste período, comecei a ler umas três vezes e não conseguia ir adiante. Conheci o livro por intermédio de uma amiga, que havia comprado o original bem antes de seu lançamento no Brasil. Só comecei a ler quando senti a necessidade de ler algo que pudesse terminar o mais rápido possível e que fosse de fácil leitura, pois estava lendo “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, e “American Gods”, de Neil Gaiman.Para quem passou os últimos anos em Marte ou em algum planeta próximo e não conhece a trama básica, eis um resumo: Bella, uma adolescente de 17 anos, conhece Edward, por quem se apaixona e descobre que é um vampiro, que também se apaixona por ela, mas a evita por ser atraído por seu sangue (que loucura não deve ser quando ela está naqueles dias...).
Confesso que a narrativa de Stephenie Meyers me prendeu, ainda mais com os ganchos a cada fim de capitulo. A cada novo capitulo, eu esperava realmente que fosse acontecer alguma coisa grandiosa. O livro não é totalmente ruim, mas é o tipo de entretenimento que é melhor aproveitada com o cérebro no modo off. Há vários furos na narrativa e discuti-los todos necessitaria de um outro post. A personagem Bella, mais uma adolescente angustiada sem causa aparente, é um porre. Edward é pior ainda (ainda hoje eu me pergunto o que um vampiro de 200 anos, bonitão, cheio da grana, com a eternidade ao seu dispor e que pode andar à luz do dia – com o inconveniente de brilhar, infelizmente – tem na cabeça pra ter a infeliz idéia de voltar ao Ensino Médio). Quando a trama dá uma esperança de reviravolta, ela retorna ao lugar comum. Até a batalha no fim é forçada. Os vampiros são uma versão mais pálida de adolescentes ricos e lindos de seriados americanos como “Barrados no Baile”, “The O.C.” ou “Gossip Girl”. Dirigem carrões, habitam mansões e são escravos da moda.
A autora diz que não sabia nada sobre vampiros e que não se inspirou em nenhuma obra anterior sobre o tema. Mas o romance entre uma adolescente e um vampiro bicentenário “vegetariano” foi mostrado nas primeiras temporadas do seriado “Buffy The Vampire Slayer”, de Josh Whedon. Seu Edward é uma versão adolescente do Louis da Anne Rice. Talvez a novidade da obra seja o fato de nada acontecer, o que se deve provavelmente às crenças da autora, que é presbiteriana. Para adolescentes e mulheres com um ideal utópico de romantismo, que ainda acreditam no amor à primeira vista, é uma leitura ideal. O livro agrada o seu publico-alvo, que carece de uma literatura água-com-açúcar e sem muito conteúdo e aos pais dos adolescentes, que se alegram com um livro onde não há sugestão de sexo (os personagens principais só chegam às vias de fato após o casamento, o que ocorre em outro livro) e pouca violência.
Ainda não tive ânimo para ler os outros livros. Talvez entre uma e outra leitura com mais substância.
4. Let the Right One In (Låt den rätte komma in) – Ou “Let me In”, de John Ajvide Lindqvist, como foi renomeado no mercado americano (que teve o nome reduzido, pois o acharam longo demais. Vai entender...). O nome é tanto uma referência à uma musica de Morrissey (Deixe a pessoa certa entrar) quanto ao mito de que um vampiro precisa de um convite formal para adentrar um recinto. Inicialmente, assisti ao filme, que saiu por aqui como “Deixe Ela Entrar”. O filme é lindo: a história, a fotografia, as interpretações, a edição. O fato de saber que foi baseado em um livro me fez procurar a obra (que não saiu no Brasil, ainda). É um dos cada vez mais raros casos de uma boa adaptação, ainda que algumas situações estejam simplificadas no filme, levemente alteradas ou subentendidas no filme.Na obra, Oskar, um garoto de 12 anos, com pais divorciados, que vive sofrendo agressões por valentões na escola, que coleciona reportagens sobre crimes hediondos e que é um tanto precoce para a sua idade, conhece uma garota, Eli, que acabou de chegar na vizinhança, iniciando uma amizade, sem saber que a recente onda de assassinatos que assolam o bairro estão ligados à ela, uma vampira de 12 anos... há 200 anos. À medida em que a amizade (e o amor) entre os dois vai crescendo, ambos encontram uma espécie de refugio, de santuário, um no outro. Ele, das agressões do mundo; ela, do tormento de ser uma coisa que não pediu para ser e de ter que matar para viver. Na amizade, eles vivem a sensação de normalidade. Ambos se permitem ser crianças.
O livro engloba outros personagens, que são afetados, cada um a seu modo, pelos acontecimentos . Suas vidas são interligadas e são afetadas pelas decisões e passos tomados por cada um deles. Em alguns momentos, me irritava ter que desviar a atenção de Oskar e Eli para algum outro personagem, mas o autor consegue fazer o leitor se interessar pelos outros personagens e a certa altura você passa a dar importância a todos eles e seus problemas.
A trama é bem profunda e aborda temas como pedofilia, incesto, abuso religioso, homossexualismo, alcoolismo e tem uma linguagem bem mais complexa e elaborada do que o Twilight, com o qual já foi comparado. O livro é da Suécia, onde, acredito, não há a preocupação em escrever já pensando em uma possível roteirização - praga que assola o mercado literário do lado de cá. Há longas descrições, viagens interiores e longos capítulos onde os personagens “principais” nem aparecem. O próprio filme adaptado, também sueco, é atípico, se comparado ao cinema americano, condicionado à produção de blockbusters feitos sob medida para um público que não gosta de pensar. Aliás, já está em andamento a produção de uma versão cinematográfica estadounidense. Uma tentativa, talvez vã, de refazer o que já foi feito de forma sublime. Ou será uma tradução para um publico que se desacostumou a pensar? Só o tempo dirá.
sábado, setembro 12, 2009
UMA REFLEXÃO SOBRE A CIÊNCIA E NATUREZA
Essa visão de Ciência, por incrível que pareça, é bastante popular. O sonho de quase todo cientista (ou não) seria esse: Conduzir resultados a um caminho pré-deteminado, do mesmo modo que um pastor conduz seu gado. Chega a ser irônico e contraditório. Apesar de em Ciência não podermos considerar nada como um absoluto verdadeiro, o termo "cientificamente comprovado" é usado de forma indiscriminada neste sentido, principalmente por (e para) pessoas que não fazem a mínima idéia do que o método científico é. Eis o paradoxo: As pessoas culpam as mazelas modernas à Ciência mas precisam de um aval dela para validar suas escolhas.
A Ciência não é fácil. Nem de fazer nem de entender. É mais cômodo e exige menos reflexão atribuir causas sobrenaturais aos fatos do que analisá-los de um ponto de vista científico. Não são os avanços da Biologia nem da Medicina que curam, mas a eza, o amuleto, a bênção e a simpatia. A Ciência apenas destrói, exclui e polui e não nós, que utilizamos suas descobertas de forma irresponsável.
Eu estava me lembrando de minha Iniciação Científica, de todo o trabalho, de todos os experimentos que deram certo e da grande maioria que não deu, da repetição de experimentos, da leitura exaustiva de artigos, de congressos. Da elaboração da monografia, descrevendo todos os passos, métodos usados, resultados e conclusões. Da defesa (a pior parte), onde meu trabalho foi avaliado por uma banca formada por cientistas da minha área, bem mais experientes, onde se houve críticas, indagações e sugestões. É uma experiência traumática para a maioria das pessoas mas prepara para o mundo científico, onde uma publicação de resultados é avaliada não por 3 ou 4 mas por milhões de especialistas. A beleza do sistema é que qualquer um poderá repetir seus experimentos, aplicar suas descobertas em outras linhas de pesquisa, levando ao desenvolvimento de novos experimentos e tecnologias. Isso leva também à descoberta de erros ou fraudes pelos outros cientistas e à elaboração de novas teorias, que não surgem do nada mas com base em outras pesquisas.
As pessoas tendem a usar as descobertas científicas em sua forma prática, desvinculando-as da pesquisa básica. A descoberta de antibióticos e vacinas levaram à uma nova era: No final do Século XVIII, menos de 25% das crianças passavam dos cinco anos. No início do Séc. XX, a expectativa de vida média mundial se situava entre 30 e 40 anos. Hoje, passa dos 65. Isso levou ao aumento da população mundial e às suas necessidades de consumo, gerando poluição e afetando vários ecossistemas, já que ela dispunha de uma tecnologia mais destrutiva do que as das gerações anteriores, inclusive os indíos (É fato conhecido que a relação harmônica das populações indígenas com a natureza é um mito). Nós não usamos a tecnologia de modo eficiente e no final culpamos quem a elaborou. Atualmente, há a rejeição parcial por tudo que é artificial e o surgimento de uma nova religião, baseada em um conceito um pouco equivocado do que é natural. Como toda religião, possui seus dogmas, os quais não necessariamente são baseados na razão.
Natural, em Filosofia Natural, é tudo aquilo que não é feito pelo homem nem sofre sua intervenção. Como toda palavra da moda (galeria que inclui orgânico, ecologia, química, quântica, etc.) é utilizada em uma gama enorme de produtos e serviços, os quais fogem completamente de seu sentido original. Em uma conversa recente com o Fábio Léda, pelo Twitter, ele defendia o conceito de natural como "não-modificado pelo homem em sua estrutura original" e até certo ponto ele estava certo. Mas ao estender esse conceito à agricultura orgânica, ele perde efeito já que é algo manufaturado. O conceito de que tudo que é industrializado possui muita "química" perde um pouco o sentido ao se analisar que tudo o que existe é formado por átomos e ligações, portanto tem química, seja feito pelo homem ou não.
Outra questão em discussão foram os transgênicos e alimentos modificados geneticamente. praticamente todos os alimentos, inclusive os de origem animal, foram modificados geneticamente, mas com as chamadas ferramentas clássicas: Cruza um se com outro até resultar em algo que possa ser aproveitado. no caso de vegetais é até mais fácil, já que se pode fazer o cruzamento com espécies aparentadas ou enxertos. Tal método, entretanto, junta genes desejáveis com milhares não tão bons assim. As ferramentas modernas permitem selecionar genes e implantá-los sem as desvantagens do método clássico. E mais, permite trocas gênicas entre espécies com parentesco distante, como animais e plantas. Esse talvez seja o grande problema e a razão original do medo. São os cientistas mais uma vez brincando de ser Deus (como se extender a vida de uma criança destinada a contrair poliomelite também não fosse brincar de Deus...).
Há uns dez anos atrás, surgiram várias campanhas mais baseadas em preconceito do que em fatos combatendo a produção e utilização de transgênicos. Atualmente, não há tanto combate assim, mas há a defesa da chamada agricultura orgânica, que é incapaz de suprir a demanda cada vez maior de alimentos. (Ironicamente, aqueles com condições financeiras de adquirir esses alimentos são aqueles que muitas vezes se utilizam de carros utilitários). É válida a meta de utilizar menos agrotóxicos e fertilizantes em plantações, já que esses sãos os principais poluentes de vários ecossistemas e afetam a saúde humana. Há vários métodos, inclusive com a utilização de trangênicos, que podem ser utilizados com essa finalidade. Mas as alternativas menos poluentes muitas vezes não são utilizadas por diminuirem as margens de lucro, além de, como é o caso dos transgênicos, esbarrarem em outros problemas.
Atualmente, há a produção em massa, em alguns países, da soja transgênica da Monsanto, aquela capaz de resistir a grandes quantidades do herbicida criado pela própria empresa. Aliás, a Monsanto esteve envolvida em vários escândalos ambientais. Eis o tipo de situação onde o mau uso da Ciência fica evidente. Mas devemos lembrar que foram outros cientistas que conduziram pesquisas que demonstraram os malefícios desse herbicida.
Afinal, a Ciência é um empreendimento humano e, assim como a religião, pode ser usada para o bem e para o mal, em benefício próprio ou de todos. Para qual lado ela tende? Basta observar o mundo à sua volta para ter essa resposta.
COISAS QUE EU TENHO LIDO
Anansi (ou Mr. Nancy) é um dos personagens mais carismáticos do excelente livro "Deuses Americanos", também de Gaiman. Não há nenhuma ligação entre as tramas dos dois livros, além dessa. É um deus africano brincalhão, contador de histórias. Ah, sim, ele é uma aranha (e ao mesmo tempo um homem. Não tem que fazer sentido, ele é um deus!). Quando Anansi falece, seu filho, "Fat Charlie" Nancy, que nunca se deu bem com o pai e o acha um embaraço, além de descobrir a divindade de seu pai, sabe que tem um irmão, Spider, que sem que ele saiba herdou os poderes do pai. Ao convidar o seu irmão para uma visita, tem a sua vida virada de cabeça para baixo, já que este se torna... Fat Charlie. Ao usar mágica para tentar se livrar do irmão, acaba colocando ambos em perigo mortal.
Um aspecto legal do livro é como ele trata da relação entre pais e filhos, e irmãos, do modo como as coisas nem sempre são o que parecem e como, dependendo do ponto de vista, surgem dificuldades de comunicação. Charlie se queixa sempre de como seu pai o colocava em situações embaraçosas em sua infância. Ao conversar com o pai, após a sua morte, percebe o quanto este o amava e que essas situações eram para sua diversão Iafinal, Anansi é um deus brincalhão, conhecido por pregar peças).
Outro: Na maioria dos livros, geralmente, há a descrição de um personagem em relação à sua etnia apenas quando ele não é branco. Aqui, onde os personagens principais são negros, ocorre o inverso (boa sacada do Gaiman). Uma curiosidade: Houve a proposta de adaptarem o livro para o cinema, mas com os protagonistas brancos e sem os elementos mágicos (seria qualquer coisa, menos "Anansi Boys"...). Gaiman educadamente recusou a proposta, dizendo que não precisava do dinheiro. Há ou não há razões para amar esse cara?
terça-feira, julho 21, 2009
Um Exercício de Mal Gosto
Essencialmente, há um fio narrativo frouxo, atuações péssimas e monólogos sem sentido.Dá a impressão de que é um filme amador feito com recursos e essa é a graça do filme, repleto de momentos memoráveis e hilariantes. Aconselho aos fracos de estômago ou aos muito moralistas que fiquem longe desse filme. Ele contém zoofilia, canibalismo, coprofagia (pra valer!), estupro, incesto, mutilação, violência sem sentido, sexo explícito, podofilia, voyerismo, travestismo, exibicionismo e contrações anais.
Minhas cenas favoristas (contém spoilers):
- O modo como Connie dispensa uma candidata a um emprego é o máximo do desprezo:
"Você pode comer merda, que eu não me importo, ou comer qualquer coisa que goste Ou fazer outra coisa que goste. Só não diga que eu quero saber de seus problemas."
Ainda:
"Eu acho que existem dois tipos de pessoa, sra. Sandstone...o meu tipo e os Cuzões.
É óbvio em que categoria você se encontra. Tenha um bom dia!"
Engraçado é todo o gestual que ela faz pra falra isso.
- A cena de sexo entre Crackers, a espiã Cookie e... Uma galinha (que morre no processo), com o testemunho de Cotton.
- O casal Marble sequestra jovens, que são engravidadas por seu mordomo drag queen. Cansado de fazer sexo com elas, ele as insemina artificialmente: Se masturba e com uma seringa introduz o esperma na vagina da nova vítima desacordada.
- O pouco convencional ato sexual do casal Marble já é de morrer de rir, mas as declarações de amor dão um tempero especial ao momento: "Eu te amo mais do que a própria sordidez. Mais do que a minha própria merda".
- A festa de aniversário de Divine, o "julgamento" e a cena final. Só assistindo.
Mundos e Mundos
Lewis se tornou o grande defensor do cristianismo em seu tempo, com várias obras de não-ficção que são referência até hoje. No entanto, sua obra mais conhecida ainda é a série de sete livros que se passam no mundo encantado de Nárnia.
Atualmente, as obras e adaptações cinematográficas de ambos os escritores são consideradas satânicas e são boicotadas justamente por outros cristãos. Aparentemente, toda uma geração de leitores não sabe o significado de Fantasia e não consegue distinguir ficção de realidade ou alegoria de concretismo.
Com que mundos eles sonham quando crianças?
quarta-feira, junho 03, 2009
WHO WATCHES THE WATCHMEN?
Lembro que eu comprei toda a coleção em Salvador (Dono do único, até então, sebo da cidade de Campos dos Goytacazes). Imediatamente, se tornou um vício. Meus cadernos de escola eram cheios de "Who Watches the Watchmen?", Smileys manchados de Feijão Humano e logos da Veidt. Li, reli várias vezes mas confesso que só fui compreender a obra beem mais tarde.
A série da Abril, em seis números (cada uma com duas edições originais), saiu por aqui em 1988-9, se não me engano, como uma "Mini-série de Luxo". Em alguns aspectos, é a versão que eu mais gosto. Tem os nomes dos personagens em inglês, com tradução e pronúncia em notas de rodapé (Coruja será sempre Nite Owl pra mim, bem como Espectral será Silk Spectre). As citações também são mantidas no original, com traduções logo abaixo, em fontes menores. Na edição 5 (Aqui, 3), em "Terrível Simetria", a fonte diz "Raw Shark" (tubarão cru), mantendo a relação da estória central com a estória dentro da estória em quadrinhos "Contos do Cargueiro Negro". O único empecilho: o sacrifício de uma capa original em cada edição (coisas da Abril...).
Nos meados de 1990 (o ano, não a década), emprestei a minha coleção a uma pessoa, que me fez o favor de sumir com a edição 5, o que me impediu de reler Watchmen até 1999, quando após anos de busca encontrei esse número em um sebo. Após uma releitura, uma surpresa: Apesar de algumas coisas que eu lembrava estarem ainda lá, era algo completamente novo que eu lia.
Eu era um adulto recém ingresso na Universidade, com uma leitura de mundo completamente diferente após 10 anos de leituras e estudos e pude, desta vez, ler as entrelinhas. E o que eu vi foi completamente maravilhoso. Praticamente tive um orgasmo mental ao perceber o jogo entre o título da edição 5, Terrível Simetria, e o enquadramento da estória. Outro orgasmo ao chegar ao final e perceber o que ele significava. Era a primeira vez que eu estava lendo Watchmen.
Cheguei a comprar algumas edições da republicação da série em 1999. Não gostei do fato de terem traduzido os nomes dos personagens nem as citações. Mas era uma bela edição, desde o papel até as capas, originais. E comprei agora a Edição Definitiva (Parafrasendo Manhattan, "Nada é definitivo", ainda mais com essa galinha dos ovos de ouro da DC). A verdade é que eu queria comprar a Absolute Edition, que custa a "bagatela" de $75,00 mais frete. Nada viável neste momento. Na minha edição, que eu comprei em uma promoção, paguei quase a metade do valor de catálogo.
Mas devo confessar que o saldo final é positivo.
DEPOIS DA QUEDA, O COICE
Tem gente achando que o Voo Air France 447 tem um que do Voo Oceanic Airlines 815: Numerologistas dizem que foram várias combinações de números que derrubaram o avião. Ninguém avisa antes, só depois da merda ocorrida. Assim, até eu prevejo futuro.
Várias pessoas foram salvas por insights divinatórios, por meio de sonhos ou mensagens diretas de Deus. Esses poucos escolhidos, sejam lá quais forem seus destinos (futuros presidentes? salvadores do mundo? líderes da humanidade na guerra vindoura contra as máquinas?), são usados como exemplos pela Imprensa Amarela de uma suposta conexão mística. Mas o será que Deus tem com essas pessoas e tinha contra os outros 228 passageiros (incluindo crianças) que morreram na tragédia? E as milhares de pessoas que sonham ou são avisadas antes de um voo que vão morrer e nada acontece, exceto o fato de que perderm a viagem? Isso não vende jornal então é irrelevante.
Imagino o drama das famílias das vítimas, que são obrigadas a ouvir e ler esse tipo de besteira.
domingo, maio 31, 2009
PALAVRAS, NADA MAIS...
Eis algumas palavras que já deram o que falar:
1. RADICAL. Em uma conversa com um conhecido sobre pena de morte, a outra parte defendia a pena de morte para delitos leves (Segundo ele, era assim que a Sociedade Romana, acho, funcionava). Eu comentei que a sua atitude era um tanto radical. A partir daí, a conversa se tornou uma longa (até demais) discussão sobre o significado de radical, já que na sua opinião o meu uso da palavra era errôneo. A minha definição da palavra era a de algo invariável, extremo. A dele, de raiz. Ambas as definições estavam certas, mas para ele a minha não servia pois se afastava da palavra latina original. No debate que se seguiu, defendia a idéia de que a língua e suas regras, portanto as palavras, eram variáveis ao longo do tempo. Se assim não o fosse, estaríamos falando latim até hoje.
2. SEITA. O sentido original da palavra seita significa ramo dissidente de uma Igreja e/ou Religião estabelecida. Popularmente, e quase sempre em caráter depreciativo, é usada para designar um grupo de pessoas que segue uma doutrina que não é aceita pela maioria e que pode seguir padrões que não são aceitos pela Sociedade. Neste caso, eu acredito que a segunda definição é uma deturpação da primeira, por motivos óbvios: As grandes Religiões atuais são seitas de outras Religiões. Marcadamente, o Cristianismo (para a infelicidade de alguns cristãos), bem como o Islamismo, são seitas Judaicas.
3. TEORIA. Uma palavrinha que me dá constantemente dor de cabeça. Na noção popular, significa essencialmente uma especulação, um palpite. Resumindo, um achismo. Academicamente, uma explicação viável a um fato observado, um modelo construído a partir de dados empíricos e experimentos. A dor de cabeça resulta de discussões sobre Evolução com pessoas com crenças criacionistas (inclusive outros biólogos), que confundem essas duas definições. Toda vez que eu ouço a frase “a Evolução é apenas uma teoria”, eu tento explicar a diferença. Tento, pois geralmente, às vezes na mesma conversa, a outra parte insiste em usar a definição popular para se aplicar à Teoria Científica.
4. EVOLUÇÃO. Ao contrario do que muita gente pensa, o termo Evolução já existia antes mesmo de Darwin nascer, portanto não foi criado por ele. Foi usada originalmente para descrever o desenvolvimento embrionário (Do latim evolvere, desenrolar, já que o homem que cunhou o termo acreditava que havia homúnculos dentro dos gametas, que se desenrolavam e desenvolviam em ambiente propício.). Posteriormente, definia o processo de desenvolvimento progressivo dos seres vivos, desde organismos mais simples aos mais complexos (traduzindo: Nós). Na época de Darwin, essa era a noção vigente, com evolucionistas famosos como Haeckel e Lamarck dividindo opiniões: O aumento da complexidade podia ser ou não direcionado. Devido a isso, Darwin evitou usar o termo Evolução em “A Origem das Espécies” e, após a publicação de sua obra, lutou inutilmente para desassociar o termo de sua Teoria, a descendência com modificações ou Seleção Natural, já que não tinha nada a ver com a noção de progresso ou aumento de complexidade. No entanto, essa definição existe até hoje e Darwin é injustamente acusado de ser o responsável pelo seu surgimento (Também é o “responsável” pelo crescente Materialismo da Sociedade e pelo afastamento de Deus nos corações das pessoas, mas vou falar disso em outra ocasião).
5. ACASO. Se eu jogo um dado de seis lados (existem com mais, antes de qualquer comentário), o acaso “decide” qual número vai ficar em evidência. Se fosse uma moeda, “definiria” se seria cara ou coroa. As aspas representam a falta de propósito em tais eventos (Tirando os casos de vício, é claro). Direção de ventos, movimentos de águas, acidentes, caminho de uma gota nas costas da mão, movimento de partículas ou moléculas de um gás. Os rumos da natureza são regidos por eventos aleatórios. Ou seja, pelo acaso. Incluindo mutações e a transmissão de características genéticas. Isso fica bem demonstrado na meiose e na distribuição de cromossomos nos gametas. Como diz o Violins, é “o acaso que rege o mundo”.
MAXOEL adora uma boa discussão e apesar de reclamar, se tornou viciado nelas. E ele adoraria estar presente ao Fim do Universo e adoraria conseguir uma reserva em um famoso restaurante que fica por lá.
quinta-feira, maio 28, 2009
Coisas que eu tenho lido
Já faz um tempo que eu terminei de ler esse livro, mas isso não importa. Este é um livro de contos e poemas do Mestre Gaiman, que apareceram, em sua maioria, em outros livros, revistas e até encartes de CDs (“Strange Little Girls”, para a amiga Tori Amos). Decidi comprar esse livro em inglês original após a decepção sofrida ao comprar a edição em português, que continha APENAS nove contos (o original tem 32 contos e poemas).
Em primeiro lugar, é um livro de Gaiman. Dificilmente, sinônimo de livro ruim. Há contos bons e alguns muito bons, como “Um Estudo em Esmeralda”, “Other People”, “Como Falar com Garotas em Festas”, “Golias”, “The Day the Saucers Came”, entre outros. Apesar de eu preferir o livro de contos “Smoke and Mirrors” (“Fumaça e Espelhos”, por aqui), também há mágica neste.
Em seguida(não tão em seguida assim: Parei a leitura de outro ivro), eu li, em um ritmo espantosamente acelerado (150 páginas em um dia, um domingo, e o resto de livro de 300 e poucas páginas em 4 dias), o “The Graveyard Book”. Nem preciso dizer que é ótimo. Espantosamente, um livro escrito para crianças com assassinatos, referência a sexo e outras coisas que a maioria dos adultos acha inapropriada aos infantes.
O livro conta a história de um garoto de 1 ano e poucos meses, cuja família é assassinada por The Man Jack. O garoto escapa, vai parar em um cemitério e é adotado por um casal de fantasmas. Após um Conselho, os outros membros do cemitério decidem pela permanência do garoto, que teria um Guardião, Silas (que não é morto, nem vivo mas que como o garoto também foi abrigado pela Lei do Cemitério) e é batizado de Nobody (Ninguém) Owens ou Bod. A cada conto, que se distanciam em dois ou três anos, acompanhamos o crescimento de Bod, seu relacionamento com os habitantes do cemitério, principalmente Silas, suas aventuras e ritos de passagem. Por motivos que vão sendo desvendados posteriormente, The Man Jack está obstinado a matar o garoto e o cemitério é o seu porto seguro.
Assim como “Os Livros das Selvas” (Foram dois), que o inspirou, cada capítulo é um conto fechado, que se interliga a outros. O primeiro capítulo lembra bastante “Os Irmãos de Mowgli”, do primeiro livro das selvas e outro capítulo, "The Hounds of God", segue a linha de “A Caçada de Kaa”.
Aliás, “os Livros das Selvas”, de Rudyard Kipling, é outra obra surpreendente. Depois que eu li os primeiros contos com Mowgli, tomei ódio da versão da Disney, que eu considerei simplória, imbecilizante e pouco fiel à obra original. Há notícias que Neil Jordan vai adaptar esse livro para o cinema. Espero que ele não cometa o mesmo erro.


