quarta-feira, junho 03, 2009

WHO WATCHES THE WATCHMEN?

Há muito tempo atrás, quando eu ainda tinha uns 13 anos de idade, várias revistas em quadrinhos anunciavam a publicação vindoura de algo chamado Watchmen. O Que? Quem? Eram as perguntas que tais anúncios enigmáticos faziam. Na época, eu não relacionava estórias com roteiristas, apesar de identificar artistas es estilos. Bem mais tarde que eu fui saber que Alan Moore era o cara que me dava tanto prazer escrevendo Monstro do Pântano, que eu lia e relia na minha Novos Titãs ("Lição de Anatomia", se não me engano, estreou na edição 4).

Lembro que eu comprei toda a coleção em Salvador (Dono do único, até então, sebo da cidade de Campos dos Goytacazes). Imediatamente, se tornou um vício. Meus cadernos de escola eram cheios de "Who Watches the Watchmen?", Smileys manchados de Feijão Humano e logos da Veidt. Li, reli várias vezes mas confesso que só fui compreender a obra beem mais tarde.

A série da Abril, em seis números (cada uma com duas edições originais), saiu por aqui em 1988-9, se não me engano, como uma "Mini-série de Luxo". Em alguns aspectos, é a versão que eu mais gosto. Tem os nomes dos personagens em inglês, com tradução e pronúncia em notas de rodapé (Coruja será sempre Nite Owl pra mim, bem como Espectral será Silk Spectre). As citações também são mantidas no original, com traduções logo abaixo, em fontes menores. Na edição 5 (Aqui, 3), em "Terrível Simetria", a fonte diz "Raw Shark" (tubarão cru), mantendo a relação da estória central com a estória dentro da estória em quadrinhos "Contos do Cargueiro Negro". O único empecilho: o sacrifício de uma capa original em cada edição (coisas da Abril...).

Nos meados de 1990 (o ano, não a década), emprestei a minha coleção a uma pessoa, que me fez o favor de sumir com a edição 5, o que me impediu de reler Watchmen até 1999, quando após anos de busca encontrei esse número em um sebo. Após uma releitura, uma surpresa: Apesar de algumas coisas que eu lembrava estarem ainda lá, era algo completamente novo que eu lia.

Eu era um adulto recém ingresso na Universidade, com uma leitura de mundo completamente diferente após 10 anos de leituras e estudos e pude, desta vez, ler as entrelinhas. E o que eu vi foi completamente maravilhoso. Praticamente tive um orgasmo mental ao perceber o jogo entre o título da edição 5, Terrível Simetria, e o enquadramento da estória. Outro orgasmo ao chegar ao final e perceber o que ele significava. Era a primeira vez que eu estava lendo Watchmen.

Cheguei a comprar algumas edições da republicação da série em 1999. Não gostei do fato de terem traduzido os nomes dos personagens nem as citações. Mas era uma bela edição, desde o papel até as capas, originais. E comprei agora a Edição Definitiva (Parafrasendo Manhattan, "Nada é definitivo", ainda mais com essa galinha dos ovos de ouro da DC). A verdade é que eu queria comprar a Absolute Edition, que custa a "bagatela" de $75,00 mais frete. Nada viável neste momento. Na minha edição, que eu comprei em uma promoção, paguei quase a metade do valor de catálogo.

A edição é bem legal, a editoração é excelente, a nova coloração dá um toque especial à obra, marca presença na estante mas... Poderia ser melhor. Vários erros de digitação, a tradução da clássica frase "Who watches the watchmen?", com alteração da arte original, a introdução de palavrões (não sei se estão presentes na obra original, mas como há um costume recente no Brasil de acrescentar palavrões ausentes nos originais nas adaptações, vou presumir que o mesmo ocorreu aqui.). Ainda não sei se gostei do efeito dado ao "Contos do Cargueiro Negro", feito para parecer um quadrinho antigo, com todos aqueles pontos. Em uns momentos, fica legal mas em outros tira alguns detalhes do desenho. Acho que deveria ter vindo com a caixa, como a edição americana. Estranhamente, a edição pobre, em dois volumes com preços mais em conta, está sendo vendida em uma caixa.

Mas devo confessar que o saldo final é positivo.

DEPOIS DA QUEDA, O COICE

No rastro de uma tragédia, sempre surgem os oportunistas.

Tem gente achando que o Voo Air France 447 tem um que do Voo Oceanic Airlines 815: Numerologistas dizem que foram várias combinações de números que derrubaram o avião. Ninguém avisa antes, só depois da merda ocorrida. Assim, até eu prevejo futuro.

Várias pessoas foram salvas por insights divinatórios, por meio de sonhos ou mensagens diretas de Deus. Esses poucos escolhidos, sejam lá quais forem seus destinos (futuros presidentes? salvadores do mundo? líderes da humanidade na guerra vindoura contra as máquinas?), são usados como exemplos pela Imprensa Amarela de uma suposta conexão mística. Mas o será que Deus tem com essas pessoas e tinha contra os outros 228 passageiros (incluindo crianças) que morreram na tragédia? E as milhares de pessoas que sonham ou são avisadas antes de um voo que vão morrer e nada acontece, exceto o fato de que perderm a viagem? Isso não vende jornal então é irrelevante.

Imagino o drama das famílias das vítimas, que são obrigadas a ouvir e ler esse tipo de besteira.

domingo, maio 31, 2009

PALAVRAS, NADA MAIS...

De vez em quando, eu entro em determinadas discussões acerca do significado de certas palavras. Palavras, como se sabe, são bem plásticas, adequam-se à vários contextos alterando o seu significado e/ou classe. Nós, que as inventamos e usamos, temos a tendência a nos apegarmos aos significados que se aplicam melhor à nossa visão de mundo, a nossos preconceitos, crenças e idéias. Claro que em uma conversa, dependendo de como cada parte interpreta a palavra usada, podem surgir ruídos de comunicação.
Eis algumas palavras que já deram o que falar:

1. RADICAL. Em uma conversa com um conhecido sobre pena de morte, a outra parte defendia a pena de morte para delitos leves (Segundo ele, era assim que a Sociedade Romana, acho, funcionava). Eu comentei que a sua atitude era um tanto radical. A partir daí, a conversa se tornou uma longa (até demais) discussão sobre o significado de radical, já que na sua opinião o meu uso da palavra era errôneo. A minha definição da palavra era a de algo invariável, extremo. A dele, de raiz. Ambas as definições estavam certas, mas para ele a minha não servia pois se afastava da palavra latina original. No debate que se seguiu, defendia a idéia de que a língua e suas regras, portanto as palavras, eram variáveis ao longo do tempo. Se assim não o fosse, estaríamos falando latim até hoje.

2. SEITA. O sentido original da palavra seita significa ramo dissidente de uma Igreja e/ou Religião estabelecida. Popularmente, e quase sempre em caráter depreciativo, é usada para designar um grupo de pessoas que segue uma doutrina que não é aceita pela maioria e que pode seguir padrões que não são aceitos pela Sociedade. Neste caso, eu acredito que a segunda definição é uma deturpação da primeira, por motivos óbvios: As grandes Religiões atuais são seitas de outras Religiões. Marcadamente, o Cristianismo (para a infelicidade de alguns cristãos), bem como o Islamismo, são seitas Judaicas.
Geralmente, quando alguém implica com um grupo religioso, chamando-o de seita de forma depreciativa, eu lembro do caráter “seitanico” do próprio Cristianismo. Vale lembrar que a famosa perseguição na Antiguidade aos primeiros cristãos não era apenas uma implicância pelo diferente, mas uma reação à crescente ameaça que esses pequenos grupos representavam ao status quo. Imagine se alguém chegasse à porta de sua casa, dissesse ao seu filho que ele deveria abandonar tudo, lar e pais, para seguir uma religião, e ele fosse. Se isso é drástico hoje, imagine em um tempo em que a continuidade da família (e de seus títulos e negócios) se dava através dos filhos!
Em relação às perseguições, não é nada muito diferente de hoje em dia, onde vários grupos cristãos de caráter conservador se unem a governos de extrema direita na tentativa de suprimir as mudanças exigidas por alguns, inclusive outros cristãos. Eis o caráter irônico da História: Como eventualmente alguns papéis podem ser invertidos.

3. TEORIA. Uma palavrinha que me dá constantemente dor de cabeça. Na noção popular, significa essencialmente uma especulação, um palpite. Resumindo, um achismo. Academicamente, uma explicação viável a um fato observado, um modelo construído a partir de dados empíricos e experimentos. A dor de cabeça resulta de discussões sobre Evolução com pessoas com crenças criacionistas (inclusive outros biólogos), que confundem essas duas definições. Toda vez que eu ouço a frase “a Evolução é apenas uma teoria”, eu tento explicar a diferença. Tento, pois geralmente, às vezes na mesma conversa, a outra parte insiste em usar a definição popular para se aplicar à Teoria Científica.

4. EVOLUÇÃO. Ao contrario do que muita gente pensa, o termo Evolução já existia antes mesmo de Darwin nascer, portanto não foi criado por ele. Foi usada originalmente para descrever o desenvolvimento embrionário (Do latim evolvere, desenrolar, já que o homem que cunhou o termo acreditava que havia homúnculos dentro dos gametas, que se desenrolavam e desenvolviam em ambiente propício.). Posteriormente, definia o processo de desenvolvimento progressivo dos seres vivos, desde organismos mais simples aos mais complexos (traduzindo: Nós). Na época de Darwin, essa era a noção vigente, com evolucionistas famosos como Haeckel e Lamarck dividindo opiniões: O aumento da complexidade podia ser ou não direcionado. Devido a isso, Darwin evitou usar o termo Evolução em “A Origem das Espécies” e, após a publicação de sua obra, lutou inutilmente para desassociar o termo de sua Teoria, a descendência com modificações ou Seleção Natural, já que não tinha nada a ver com a noção de progresso ou aumento de complexidade. No entanto, essa definição existe até hoje e Darwin é injustamente acusado de ser o responsável pelo seu surgimento (Também é o “responsável” pelo crescente Materialismo da Sociedade e pelo afastamento de Deus nos corações das pessoas, mas vou falar disso em outra ocasião).
A quem interessar possa, a Seleção Natural diz respeito à transmissão de características favoráveis à adaptação de um organismo a um determinado meio. Tanto o surgimento dessas características, sua transmissão e possíveis mudanças no meio ambiente são frutos do mero acaso. Essas mutações se acumulam ao longo do tempo e favorecem o desenvolvimento de novas espécies, que se ramificam a partir de um descendente em comum. Não há progresso ou sucessão nisso e o homem não é o ápice desse processo, mas apenas mais um produto. Tanto que Darwin representou isso através de ramificações em uma árvore e não em uma escada, como era comum até então e vemos até hoje em determinados livros. De certa forma, Darwin derrubou até mesmo a definição de Evolução da época (mas não totalmente, como vimos). Aliás, é interessante como podemos estabelecer padrões evolutivos também a Religiões, estabelecendo “descendentes” em comum e ramificações representando as seitas/novas Religiões.
Acho que a interpretação mais bombástica disto não é que descendemos de macacos, mas que TODOS os seres vivos descendem de vermes. Ou, retrocedendo ainda mais, de bactérias.

5. ACASO. Se eu jogo um dado de seis lados (existem com mais, antes de qualquer comentário), o acaso “decide” qual número vai ficar em evidência. Se fosse uma moeda, “definiria” se seria cara ou coroa. As aspas representam a falta de propósito em tais eventos (Tirando os casos de vício, é claro). Direção de ventos, movimentos de águas, acidentes, caminho de uma gota nas costas da mão, movimento de partículas ou moléculas de um gás. Os rumos da natureza são regidos por eventos aleatórios. Ou seja, pelo acaso. Incluindo mutações e a transmissão de características genéticas. Isso fica bem demonstrado na meiose e na distribuição de cromossomos nos gametas. Como diz o Violins, é “o acaso que rege o mundo”.
Essa noção, implícita na Teoria de Darwin, é que apavora tanto as pessoas (até o próprio Darwin, que foi acometido de uma série de doenças nervosas e levou 21 anos até revelar sua idéia ao mundo. Se não fosse o surgimento de Alfred Wallace com a mesma Teoria, talvez levasse mais tempo). E a própria Natureza, antes direcionada pela Mão Divina, toma proporções terríveis. Nem mesmo uma ótima combinação de genes garante totalmente o sucesso e a transmissão desses a uma ascendência, já que esse indivíduo pode não atingir a idade reprodutiva: Um filhote despreparado pode ser vítima de um predador ou um adulto pode morrer em um incêndio, entre outras possibilidades, sendo a mais terrível chamada Humanidade, que mudou de forma drástica os caminhos naturais (que o diga o Mamute).
A definição comum de acaso significa sorte, fortuna, acontecimento imprevisto. Ou seja, algo mais ligado ao pensamento mágico, como peças de um avião em um ferro velho voando em uma tempestade se combinando para originar um Boeing ou um dado de seis lados dando um lado sete. Acaso (ou aleatoriedade ou , usando de um anglicismo, randomicidade), diz respeito a vários caminhos possíveis dentro de um numero de opções possíveis. Está intimamente relacionado à chamada Teoria do Caos. O grande problema é que esses caminhos não obedecem a um desígnio ou Lei aparentes (Uma gota de chuva obedece estritamente à Lei da Gravidade, mas onde vai cair depende de uma série de fatores). Portanto são, segundo alguns, mais uma definição do Materialismo Cientifico.
Os críticos dizem que não existe acaso, já que Deus controla até mesmo o vôo e a queda dos pássaros (Mas aviões caem por obra do Outro, que fique bem claro). Os críticos dos críticos dizem que o livre arbítrio, desta forma, se torna uma nulidade (eis uma discussão interessante!). Apesar da diferença de motivos, a Ciência também afirma que não há acaso. Para se calcular a velocidade de um objeto, por exemplo, não é importante saber seus caminhos e sim sua posição inicial e final. Do mesmo modo, o Universo teve um início e terá um fim. Portanto, não há muita importância dos rumos que suas partículas tomaram, já que no final vão te o mesmo destino. Eis a grande ironia: Talvez haja Propósito, afinal.

MAXOEL adora uma boa discussão e apesar de reclamar, se tornou viciado nelas. E ele adoraria estar presente ao Fim do Universo e adoraria conseguir uma reserva em um famoso restaurante que fica por lá.

quinta-feira, maio 28, 2009

Coisas que eu tenho lido

“Fragile Things” e “The Graveyard Book”, de Neil Gaiman

Já faz um tempo que eu terminei de ler esse livro, mas isso não importa. Este é um livro de contos e poemas do Mestre Gaiman, que apareceram, em sua maioria, em outros livros, revistas e até encartes de CDs (“Strange Little Girls”, para a amiga Tori Amos). Decidi comprar esse livro em inglês original após a decepção sofrida ao comprar a edição em português, que continha APENAS nove contos (o original tem 32 contos e poemas).

Em primeiro lugar, é um livro de Gaiman. Dificilmente, sinônimo de livro ruim. Há contos bons e alguns muito bons, como “Um Estudo em Esmeralda”, “Other People”, “Como Falar com Garotas em Festas”, “Golias”, “The Day the Saucers Came”, entre outros. Apesar de eu preferir o livro de contos “Smoke and Mirrors” (“Fumaça e Espelhos”, por aqui), também há mágica neste.

Em seguida(não tão em seguida assim: Parei a leitura de outro ivro), eu li, em um ritmo espantosamente acelerado (150 páginas em um dia, um domingo, e o resto de livro de 300 e poucas páginas em 4 dias), o “The Graveyard Book”. Nem preciso dizer que é ótimo. Espantosamente, um livro escrito para crianças com assassinatos, referência a sexo e outras coisas que a maioria dos adultos acha inapropriada aos infantes.

O livro conta a história de um garoto de 1 ano e poucos meses, cuja família é assassinada por The Man Jack. O garoto escapa, vai parar em um cemitério e é adotado por um casal de fantasmas. Após um Conselho, os outros membros do cemitério decidem pela permanência do garoto, que teria um Guardião, Silas (que não é morto, nem vivo mas que como o garoto também foi abrigado pela Lei do Cemitério) e é batizado de Nobody (Ninguém) Owens ou Bod. A cada conto, que se distanciam em dois ou três anos, acompanhamos o crescimento de Bod, seu relacionamento com os habitantes do cemitério, principalmente Silas, suas aventuras e ritos de passagem. Por motivos que vão sendo desvendados posteriormente, The Man Jack está obstinado a matar o garoto e o cemitério é o seu porto seguro.

Assim como “Os Livros das Selvas” (Foram dois), que o inspirou, cada capítulo é um conto fechado, que se interliga a outros. O primeiro capítulo lembra bastante “Os Irmãos de Mowgli”, do primeiro livro das selvas e outro capítulo, "The Hounds of God", segue a linha de “A Caçada de Kaa”.

Aliás, “os Livros das Selvas”, de Rudyard Kipling, é outra obra surpreendente. Depois que eu li os primeiros contos com Mowgli, tomei ódio da versão da Disney, que eu considerei simplória, imbecilizante e pouco fiel à obra original. Há notícias que Neil Jordan vai adaptar esse livro para o cinema. Espero que ele não cometa o mesmo erro.

terça-feira, maio 12, 2009

Eu Penso...

Esta semana, ao entrar em uma banca de revistas, uma de minhas várias manias, me deparei com o último número da revista evangélica Eclésia (edição 134, se não me engano). O que me chamou a atenção foi um retrato de Charles Darwin fragmentado. A chamada de capa dizia que vários erros na teoria de Darwin haviam sido encontrados por cientistas, o que levava à conclusão (não sei se pelos cientistas em questão) de que o evangelho estava certo. O assunto me levou a folhear a revista. Até pensei em comprar a revista, mas pagar para se aborrecer me pareceu ser uma idéia estúpida.

Uma das matérias, logo nas primeiras páginas, abordava como a mitologia influenciava negativamente as religiões, incluindo a cristã. Em linhas gerais, consegui captar que a idéia do texto era lançar um alerta sobre como a mitologia atrapalha o modo como as pessoas encaram e entendem religião (em linhas claras, a noção de que há, sempre houve e sempre haverá um único deus, que são três, mas que na verdade é um). Pelo que vi, tratavam os mitos como criações fictícias cuja única função seria servir de compasso moral e não como sistemas de crenças (algumas religiosas) que foram vigentes por gerações. Imagino que histórias de deuses e deusas bem como de sociedades que as cultuaram levam a questionamentos interessantes sobre o futuro das religiões atuais. Talvez a gênese dessa matéria se dê ao fato de que a noção comum de Mito é a de que é uma estória inventada enquanto que academicamente é definida como uma narrativa sagrada explicando as origens do mundo e da humanidade e/ou qualquer história tradicional relacionada a uma sociedade e seu conjunto de crenças (sociais ou religiosas). Inclusive, há a separação de narrativas tradicionais em “histórias verdadeiras” (ou mitos) e “histórias falsas” (ou fábulas).

Finalmente, cheguei à matéria de capa, chamada de “A Revanche de Adão e Eva”. A matéria se baseia nas alternativas (todas religiosas, claro) à idéia de que Darwin está errado e que a Bíblia, portanto, é a única alternativa correta. Simples assim. Tal afirmação não é atual. Há um livro de 1976 chamado “O Erro de Darwin”, do jornalista Tom Bethell (atualmente Bethell defende o Design Inteligente, nega que há efeito estufa provocado pelo homem e faz parte do Movimento de Reavaliação Científica da Hipótese HIV-Aids, grupo que defende a idéia de que o HIV não é o responsável pelos sintomas da AIDS. Aliás, segundo ele, Evolução não é ciência real mas DI é). Criacionistas de diversas gerações já gritam essa mesma coisa há algum tempo. Mas temos que lembrar que um verdade religiosa é diferente de um religiosa.

Se Darwin estivesse mesmo errado, suas idéias não seriam a base para a Biologia Moderna nem para a Medicina. Se estivesse realmente errado, simplesmente os seres vivos não deixariam de evoluir (A evolução dos seres vivos é um fato bem observado e documentado e a teoria da evolução existe para explicá-la). Se a teoria da seleção natural de Darwin estivesse errada, uma nova teoria científica seria elaborada, com base no Método Científico, a partir de novos dados e observações.

Sim, é verdade que muitas idéias de Darwin estão erradas. As principais estão registradas em um livro chamado “Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida” (Carinhosamente chamado de “A Origem das Espécies”), publicado em 24 de novembro de 1859. Ele não inventou o Evolucionismo nem elaborou a primeira teoria científica de evolução (Em sua época, já eram conhecidas – e criticadas – as idéias evolucionistas de Lamarck e o próprio avô de Darwin, Erasmus, tinha suas teorias). A diferença de Darwin e seus antecessores é que ele explicou o mecanismo pelo qual a evolução age, a Seleção Natural. Aliás, muitas idéias que são atribuídas a Darwin são fruto do trabalho de outros cientistas, alguns com base em seu trabalho. Aliás, o que favoreceu em muito a gênese do Evolucionismo moderno foi o trabalho de um monge chamado Gregor Mendel, que usou como ferramenta outro inimigo mortal dos criacionistas, o acaso, para demonstrar padrões de herança de características em plantas, criando sem querer a genética.

Para concluir: às vezes, eu me pergunto se esses erros ou distorções são induzidos pela crença ou se há a intenção de usar a desinformação como arma. Honestamente, eu não sei qual é a pior alternativa.

terça-feira, maio 05, 2009

Leitura Atualizada

Com o fim da Pixel Media, ficou um vácuo na publicação de obras de quadrinhos adultas no Brasil (quando eu digo adultas, não é putaria nem sacanagem. São temas mais complexos e pouco usuais), já que a editora era responsável pela publicação de Vertigo, Wildstorm e ABC. Com todo o histórico dessas publicações no país, com editoras que não seguem em frente, a solução óbvia seria uma editora como a Panini assumir os títulos, com preços convidativos, distribuição e qualidade editorial.

Mas agora eu decidi que vou comprar os TPBs importados, mesmo. Enquanto eu não tenho dinheiro para comprar (se eu ganhar na mega-sena, quem sabe?), vou me virando com os scans, mesmo. Já li Y-The Last Man neste esquema, no ano passado e agora estou continuando com a leitura de várias séries. O mal? Estou praticamente empatado com as publicações lá fora e a agonia de esperar é insuportável. Eis o que eu estou lendo:

Ex Machina (Wildstorm) - Brian K. Vaughan & Tony Harris

Essa ótima série de Vaugham (que escreveu Y - The Last Man e atualmente é um dos produtores e roteiristas de Lost) chegou a ser publicada até o seu segundo arco no Brasil, Símbolo (Tag), pela Pixel. O primeiro encadernado foi publicado pela Panini. Tony Harris, um desenhista que eu admiro desde Starman, está cada vez melhor.

Conta a história de Mitchell Hundred, também conhecido como a Grande Máquina, o primeiro e único super-herói do mundo, que se torna o prefeito de Nova York após ter salvo uma das torres do World Trade Center. A narrativa se alterna entre o passado heróico de Mitchell e o "presente" na administração. Em uma das últimas edições, Mitchell, fã de quadrinhos, decide fazer uma biografia em quadrinhos e entrevista vários artistas da indústria, incluindo Brian K. Vaughan e Tony Harris.

Fables (Vertigo) - Bill Willingham & Vários

Sou apaixonado por Fables. Na série, várias fábulas (personagens de contos de fadas, folclore, literatura e canções popularesse denominam) são forçadas a se retirarem de suas terras natais graças ao Adversário, um inimigo misterioso que reuniu vários exércitos e iniciou a conquista sangrenta desses vários mundos. Ao chegar ao nosso mundo, se abrigaram na cidade de Nova York, na Cidade das Fábulas (Fabletown). Inicialmente, descrevia o dia-a-dia dos habitantes da comunidade mas a partir da saga "A Marcha dos Soldados de Madeira" (Que começou a ser publicada no Brasil pela Pixel e que contém algumas pistas sobre a identidade do Adversário) passa a relatar também os planos de guerra contra o Adversário.

O legal de Fábulas é que Willingham simplesmente faz uma releitura daqueles personagens que faziam parte de nossas infâncias de uma maneira que nunca imaginaríamos (Já imaginou Cachinhos Dourados como uma psicopata zoófila? é só um exemplo) . Inicialmente, meus personagens preferidos eram Bigby Wolf (Lobo Mau) e Branca de Neve. Depois, Garoto Azul (Na saga "Homelands", onde ele retorna às Terras Natais para assassinar o Adversário). Agora, tenho uma grande admiração por Papa-Moscas (Lembra o Sapo das histórias de princesa? Ele mesmo!) e Cinderela, a super agente secreta.

Dia desses, ao ver um dvd em uma loja, não pude deixar de dizer um "filho da puta" perante a imagem do Adversário.

Jack of Fables (Vertigo) - Bill Willingham & Matthew Sturges (Escritores) & vários

Um spin-off de Fables, mostra as aventuras de Jack Horner (Ou João, que seria todos os Joões das histórias e canções, tipo João do Pé de Feijão ou o João Matador de Gigantes), um trambiqueiro e espertalhão, em Hollywood. Em um arco na revista Fables, João rouba dinheiro da Cidade das Fábulas (ou pega emprestado) para produzir uma trilogia de filmes baseada em suas aventuras, tornando-se muito popular (No universo de Fábulas, grande popularidade garante imortalidade), mas acaba sendo exilado.

Não li nada ainda dessa série, mas está engatilhada. Como cheguei no número atual de Fables, que engloba o crossing-over "The Great Fables Crossover" (eh, pleonasmo) , que se segue nas edições de ambas as revistas, com referências ao que aconteceu em JoF, eu terei que me atualizar...

100 Bullets (Vertigo) - Brian Azzarello & Eduardo Risso

Uma série Noir. Inicialmente, a série retratava um certo Agente Graves, que se aproximava de alguém e lhe dava a chance de se vingar de algum infortúnio, com uma maleta com evidências do responsável pela merda, uma arma e 100 balas irrastreáveis, já que qualquer investigação policial relacionada a elas seria imediatamente interrompida. A questão era se a pessoa aceitaria ou não se vingar.

Posteriormente, a trama se transforma em uma história de conspiração: Quem é o Agente Graves e pra quem ele trabalha? Qual a origem dessas armas? Qual a sua participação no maior crime já cometido na história humana?

A série terminou (lá fora) recentemente, no número 100.

terça-feira, abril 07, 2009

Coisas que eu tenho lido

"A Walk to Remember", de Nicholas Sparks.
 
 Sim, eu sei. Sentimentalista. Mas foi legal de ler e foi bem rápido e agradável. Tanto que fiquei até altas horas da madurgada acordado lendo, apesar de saber o final, por ter assistido ao filme (que é um pouco diferente, mas nem tanto).
Depois de ler "A Origem da Virtude", de Matt Ridley, uma leitura leve, né? Agora, estou lendo "Fragile Things", do Neil Gaiman (beem puxado), e À Beira D'água - Macroevolução e a transformação da vida", do Carl Zimmer.

Brincadeira!

Eu fui em uma grande livraria do Rio e um dos seguranças cismou de brincar de sombra comigo: Aonde eu ia, ele ia atrás. Acho que ele queria que a brincadeira fosse polícia e ladrão...

domingo, abril 05, 2009

Desafio Cumprido!

Aceitando o desafio que o Rodrigo me passou, de postar uma frase inteira de uma página de um livro que esteja à mão:

"Diz o senso comum que os índios eram unha e carne com anatureza, respeitando-a e contendo-se diante dela, magicamente sintonizados com ela, firmesna prática de um gerenciamento cuidadoso, para não estragar seu estoque de caças."

Pra quem ler não ficar boiando, eis a continuação:
"Sítios arqueológicos deixam dúvidas sobre esses mitos consoladores. Enquanto os lobos matam geralmente animais vehos ou muito jovens, os alces mortos pelos índios costumavam estar na força da idade. (...) Sabemos que em toda a América do Norte a caça encontrada pelos homens brancos era surpreendentemente escassa, exceto nas terras disputadas por duas tribos (nas quais a guerra prejudicara a caça)."

As Origens da Virtude - Um Estudo Biológico da Solidariedade, de Matt Ridley, Ed. Record, 2000, pág. 245.

A premissa do livro é bem interessante: Se somos egoístas, como conseguimos construir uma sociedade onde há a cooperação de indivíduos? Neste capítulo específico, ele detona o mito do índio ecológico e do homem primitivo em comunhão com a natureza, coisa que eu defendia há muito tempo. O mamute que o diga...

Um fato interessante que eu descobri lendo esse capítulo: A famosa carta do Chefe Seattle na verdade foi escrita em 1971, por um roteirista chamado Ted Perry, para um especial de TV. O discurso real continha palavras de agradecimento do Chefe pela solidariedade do grande chefe branco (o Presidente Americano FRanklin Pierce, em 1854) por se oferecer em comprar suas terras.
Mais um mito que deu tilt...

Meus Heróis Morreram... E Voltaram Para Contar a História!

A notícia me pegou de surpresa: a DC Comics vai lançar uma série chamada 'The Flash: Rebirth', escrita por Geoff Jonhs e desenhada por Ethan Van Sciver, a mesma equipe criativa responsável por 'Lanterna Verde: Renascimento' (ou 'Green Lantern: Rebirth').

Resumindo: a revista do Flash está mal de vendas e a solução encontrada foi justamente ressuscitar o Barry Allen, Flash da Era de Prata. Considerando que quem escreve é o Jonhs, pode-se esperar algo bom (ou não: alguéns dizem que ele já não é mais o mesmo...).

Antigamente, diziam que era a Marvel era a editora das ressurreições. Parece que o cajado foi passado pra DC: Superman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Arqueiro Verde, Gelo, Impulso, Jason Todd, Donna Troy e mais um monte que eu não lembro agora.

Dias desses, encontrei em um sebo a Graphic Novel # 3, A Morte do Capitão Marvel, escrita e desenhada pelo cósmico Jim Starlin. Uma bela história, onde o herói descobre que tem câncer, um inimigo que não pode ser vencido e tem uma morte agonizante, na presença dos heróis Marvel, que lhe prestam uma última homenagem. Até agora não o ressuscitaram.

Mas devo confessar que algumas voltas me surpreenderam: A do Arqueiro Verde, que foi bastante original. Do Lanterna Verde, que de quebra ainda explicou um monte de coisas ligadas ao universo da Tropa.



Na Marvel, f
oi surpreendente o retorno de Colossus - que teve uma morte idiota e sem sentido - pelas mãoes de Joss Whedon. Outro retorno foi o de Bucky, o antigo parceiro do Capitão América, que ganhou ares bem mais sombrios nas histórias escritas por Ed Brubaker. Bucky, após o acidente onde supostamente morreu, foi recolhido por um submarino russo e, sem memória, se tornou o Soldado Invernal, assassino a serviço da Mãe Rússia que entre uma missão e outra ficava em animação suspensa. Aliás, Brubaker é tão bom, tão bom, que após matar o Capitão América, manteve a atenção por quase 10 edições sem o personagem principal e apresentou um novo Capitão sem ouvir reclamações dos fãs.
A dark seed of evil is grown...

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

"O Segredo"

Eu ia escrever algo sobre esse filme merda, mas já o fizeram de forma espetacular.

sexta-feira, agosto 24, 2007

"Cuidado! Ele é o Porco-Aranha".

Acabei de assistir "Os Simpsons - O Filme" e estou rindo até agora com essa piada. Aliás, (quase) todo o filme é recheado de piadas. Para quem achou (como eu) que o filme não iria aguentar o tranco, se decepcionou (que bom!).

Como na minha cidade só tem cópias dubladas, agora esperarei sair em DVD pra assistir com o som original.

terça-feira, agosto 14, 2007



Alan Moore é Deus e Neil Gaiman é o seu profeta....


Eu realmente adoro esta ilustração, feita por Alex Ross há alguns anos para uma matéria da Wizard (Com uma entrevista com o próprio Deus). Meu sonho de consumo é um poster dela.
Modotti - Uma Mulher do Século XX

Comecei a ler o livro (Graphic novel, na verdade) de Ángel de la Calle, uma biografia da vida de Tina Modotti - Atriz, fotógrafa, espiã, militante comunista - e posso dizer que divido com o autor a sua paixão pela protagonista. É incrível como existem pessoas extraordinárias, com vidas excepcionais cuja existência nós ignoramos.

Foi amiga ou teve contato com Diego Rivera, Edward Weston, Alexandra Kollontai, Olga Benário, Carlos Prestes, entre outras personalidades importantes do início século passado.
Realmente, estou fascinado com a vida desta mulher e sua obra fotográfica. Mal vejo a hora de acabar de ler sobre a sua vida...


Tina Modotti, Elisa Kneeling, 1924. The Museum of Modern Art, New York

sexta-feira, agosto 18, 2006

Neverwhere

Acabei de ler o livro. Maravilhoso, como tudo o que Gaiman escreve. Agora só gostaria de assistir a série da BBC...
Iconoclasta!

Eu realmente não suporto mais pessoas que insistem que eu devo seguir uma religião. Não suporto conversar com religiosos e sua mania irritante de se acharem a cereja do bolo, os escolhidos de Deus, os melhores-do-que-você simplesmente porque seguem religião A ou B. Uma conhecida minha disse que sua vizinha chegou para ela e disse que estava triste, porque ela estaria na festa no céu e a minha vizinha não. Se fosse comigo, eu perguntaria se ela nem me levaria um salgadinho lá no inferno (Onde com certeza eu estaria, pela lógica desses fundamentalistas). Agora, alguém me diga: Como que um Deus que me ama, que me criou e me chama de filho, me deu livre-arbítrio, tem a atitude autoritária de me condenar a um inferno eterno de chamas a menos que eu O ame, O Respeite, O adore? Esse é o motivo principal pelo qual eu não sigo uma religião.

As religiões ocidentais tem a sua visão de Deus. Para elas e as pessoas que as seguem, o fim do mundo começou quando a Igreja se separou do Estado e a Ciência mudou a visão do mundo. Claro que houve um declínio na quantidade de pessoas religiosas, não pelo fato de que a Ciência forneceu uma visão mais materialista, reducionista ou seja lá qual ista que está na lista de acusações, mas sim porque ninguém ia mais para a fogueira simplesmente por não ser cristão. Hoje em dia os religiosos cristãos atacam todos que não compartilham as suas crenças, vivendo numa luta imaginária contra todas as outras religiões (e entre si, uma vez que há várias seitas cristãs no mercado), que seguem a "vontade do Diabo".
É incrível o número de besteiras que se ouve das bocas dessas pessoas: Desenhos da Disney transformam crianças em homossexuais; doces em formas de órgãos ou partes do corpo humano induzem as crianças ao canibalismo; artistas ricos e famosos fizeram um pacto com o demo; grandes empresas se reúnem frequentemente para elaborarem missas negras, com sacrifícios de virgens e crianças, com o intuito de ganhar dinheiro; qualquer símbolo da moda é parte do grande esquema chamado "Nova Era". E os exemplos não param.

Há ainda a mania dessas pessoas de se acharem as guardiãs da moral e civilidade, querendo impor os seus valores para a sociedade, se esquecendo de que o Estado é laico (inclusive para proteger o direito à crença religiosa, qualquer que seja) e de que suas convicções religiosas são pessoais e não algo a ser imposto.

terça-feira, julho 11, 2006

Por Trás do Sorriso Pintado

Há alguns anos, em um site sobre Anarquismo (o sistema político caracterizado pela ausência de Governo, onde o próprio povo regulariza suas ações), havia uma lista com os 10 melhores livros sobre anarquia já escritos. "V de Vingança" era um deles. Curiosamente, tal detalhe foi omitido na adaptação da obra para as telas e V se trasnformou em uma espécie de super-herói em busca de vingança contra o governo. Esta foi apenas uma das várias transformações que a história sofreu em sua passagem do papel para o acetato.

Na obra original, V mata pessoas envolvidas em seu aprisionamento e tortura no campo de concentração Larkhill (que não estava desenvolvendo um vírus e sim, como se revelou ser comum na história humana, simplesmente fazendo experimentos em grupos sociais estigmatizados), o que a princípio parece ser uma vendeta mas se revela um plano audacioso pra derrubar o governo vigente e implantar a Anarquia. Alan Moore, escritor da Graphic Novel, revela em uma introdução as razões que o levaram a escrever V: Margareth Thatcher no poder e a liderança do partido conservador, bem como as suas idéias, tais como erradicar o homossexualismo, extraditar estrangeiros e criar campos de concentração pra aidéticos.
V é um homem culto, que cita tanto Shakespeare quanto Rolling Stones para suas vítimas. Na Galeria Sombria, sua base, seu lar, podemos ver obras como "O Capital", de Karl Marx, "Utopia", de Thomas More, "Mein Kampt", de Hitler, "Viagens de Gulliver", de Swift, "Dom Quixote", de Cervantes, entre outros. Ouve Billie Holliday, Black Uhuru, Cole Potter, entre outros. Em um interlúdio, V toca "This Vicious Cabaret", de sua autoria, onde vislumbramos todos os personagens e seus contratempos e vemos que há mais do que vingança em seus planos. Aliás, os personagens relacionados ao governo estão tão envolvidos em jogos de poder que não percebem que estão sendo manipulados por V até o fatídico final, que é muito diferente do filme e bem mais complexo.

A personagem Evey, originalmente uma jovem orfã, que decide se prostituir e acaba sendo pega pelos Homens-Dedo (Policiais, membros da Mão, responsáveis por manter a ordem) e é salva da morte certa por V, que a acolhe e protege, eventualemente ajudando V em seus planos, entrando em um dilema moral quando se recusa a participar da morte de alguém. Evey acaba sendo expulsa do mundo aconchegante que é a Galeria Sombria (Base de V, um lugar repleto de obras de arte - pinturas, livros, discos, postêres e filmes - banidas e proibidas pelo atual governo) ao perguntar a V qual é a sua identidade por trás da máscara (Seu pai, talvez?). No mundo lá fora, perseguida, Evey acaba conhecendo o amor, que lhe é tirado por Homens-Dedo corruptos. Disposta a se vingar, está prestes a matar o responsável pela morte de seu amante quando é capturada. É importante notar que
matar alguém é algo que a antiga Evey repudiava. É neste momento, na trama, que vemos que Evey cresceu. Ela já não tem a proteção do Estado, nem de V ou de seu amante. Ela é forçada a ser adulta. Na prisão, é presa e torturada para revelar o paradeiro do codinome V (o único trecho da obra original que é fielmente retratado no filme). Após sua "libertação" e renascimento, Evey trabalha com V, assumindo o seu manto após a sua morte, pois finalmente percebe que por trás da máscara não há um rosto e sim uma idéia.

Eu não entendi o motivo da mudança da personalidade de Evey, capaz de tentar entregar V às autoridades e estupidamente cair nas mãos de pessoas dispostas a matá-la. Talvez pra criar um contraste maior entre a velha e a nova Evey, forçada a enxergar a verdade após o período em que esteve presa e, "renascida", é capaz de enxergar o mundo de como V. E não seria legal, pelos padrões hollywoodianos, se a mocinha do filme estivesse disposta a se sacrificar, desafiando um toque de recolher, para se prostituir. Então, na versão corrigida, Evey desafia as autoridades saindo para um encontro romântico. Outra correção: O personagem V, que provavelmente era homossexual na obra original, declara o seu amor a Evey, momentos antes de morrer em seus braços, devido a uma saravaida de balas ao estilo Matrix. Mais hollywood que isso...

Aproveitando: Alguém pode me dizer como aquela multidão conseguiu suas fantasias? Receberam por Sedex?

quarta-feira, junho 28, 2006

Dois anos longe! Nossa! Faz tanto tempo assim? E agora fico perdendo tempo escrevendo um monte de besteiras...
Após uma longa ausência, resolvi retornar. Há tantas coisas a serem ditas!

Mas não hoje...